19 December, 2018

Para Refletir

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A palavra lixo, derivada do termo latim lix, significa "cinza". No dicionário, ela é definida como sujeira, imundice, coisas inúteis, velhas, sem valor. Lixo, na linguagem técnica, é sinônimo de resíduos sólidos e é representado por materiais descartados pelas atividades humanas. Desde os tempos mais remotos até meados do século XVIII, quando surgiram as primeiras indústrias na Europa, o lixo era produzido em pequena quantidade e constituído essencialmente de sobras de alimentos.

 A partir da Revolução Industrial, as fábricas começaram a produzir objetos de consumo em larga escala e a introduzir novas embalagens no mercado, aumentando consideravelmente o volume e a diversidade de resíduos gerados nas áreas urbanas.

O homem passou a viver então a era dos descartáveis em que a maior parte dos produtos, desde guardanapos de papel e latas de refrigerante, até computadores, são inutilizados e jogados fora com enorme rapidez. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado das metrópoles fez com que as áreas disponíveis para destinação do lixo se tornassem escassas. A sujeira acumulada no ambiente aumentou a poluição do solo, das águas e piorou as condições de saúde das populações em todo o mundo, especialmente nas regiões menos desenvolvidas. Até hoje, no Brasil, Grande parte dos resíduos recolhidos nos centros urbanos é simplesmente jogada sem qualquer cuidado em depósitos, lixões, existentes nas periferias das cidades.

Você sabia?

Por dia, o brasileiro produz, em média, um quilo de lixo domiciliar. Quem viver até os 70 anos, portanto, vai produzir quase 25 toneladas de resíduos ao longo da vida.

Quanto mais rica a economia, mais resíduos produz. Mas quanto mais educado um povo, menos resíduos vão para o lixo. Desde o Plano Real, os brasileiros passaram a consumir e a descartar mais. O dinheiro cresceu, a educação, não. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a coleta aumentou 40% em Salvador e 22% em Curitiba.

O lixo é sempre um problema?

O lixo não é um problema em si, mas o sintoma de uma doença da sociedade atual. O problema está no nosso padrão de consumo, baseado na idéia do "descartável" e não-sustentável. Como tratar esse "sintoma"?
Mudando esse padrão. As pessoas consomem mais do que necessitam, para se preencher. A propaganda é mais efetiva quando as pessoas não estão felizes. Ela vende conceitos e não produtos: para vender margarina não se fala das qualidades do produto, mas se mostra uma família feliz ao redor da mesa. A tecnologia resolve problemas mas também cria demandas: o que era um desejo passa a ser necessidade. As pessoas descartam produtos bons para trocar por um novo "mais avançado" -e jogam no lixo o que não é lixo, o que ainda presta.

O que precisa ser entendido é que nossas decisões de consumo têm um custo social, econômico e ambiental que afetam a vida no planeta.

O destino de cada um

Lixões a céu aberto: são a forma mais atrasada de se lidar com o lixo; causam danos ao meio-ambiente e à saúde das pessoas. É o destino de grande parte do lixo no Brasil.

Aterros sanitários: o lixo é compactado e enterrado, recebendo tratamento. Para o professor da USP Sabetai Calderoni, porém, "os aterros são uma solução equivocada" porque são caros, poluentes e, como quase tudo o que é enterrado poderia ser reaproveitado ou reciclado, significam literalmente enterrar dinheiro. A Europa deixará de utilizar qualquer tipo de aterro sanitário.

Incineração: queimar o lixo sai caro, polui o ar e há suspeita de que a fumaça seja cancerígena. Porém atualmente há tecnologias que permitem realizar essa operação de forma segura e ainda gerar energia.

Reciclagem: o lixo é usado como matéria-prima para um novo ciclo de produção. É a saída mais avançada depois que o lixo já foi produzido. Para que aconteça a reciclagem, é preciso que antes seja feita a coleta seletiva, separando os materiais reaproveitáveis.

Lucro no bueiro

Segundo o economista Sabetai Calderoni, o Brasil deixa de arrecadar bilhões de reais por desperdiçar mais de 60% do seu lixo. Ele calcula que a coleta seletiva poderia render aos municípios até R$ 135 por tonelada, além de representar redução nos gastos da prefeitura. Mais da metade do lixo poderia ser reaproveitada, gerando renda e reduzindo o volume de lixo nas cidades
"Onde há gente, há lixo; onde há riqueza, há lixo rico; onde há miséria, há gente recolhendo o lixo da opulência e do consumismo

R de resolvido

Reduzir o consumo, Reutilizar e Reciclar materiais, nessa ordem. Esses são o 03 R's fundamentais para resolver a questão do lixo. Em 1992, na conferência mundial do meio-ambiente que aconteceu no Rio, 170 países assinaram a Agenda 21, documento que já apontava as medidas para o manejo do lixo.

O número de catadores que já representam 1% da população economicamente ativa do Brasil, ou seja, mais de um milhão de pessoas. Em Madri, capital da Espanha, 50 mil pessoas recebem energia elétrica gerada a partir da reciclagem do lixo.

Xô, coisa ruim

Baterias e pilhas em geral -as chamadas baterias alcalinas -são altamente tóxicas, e um perigo quando jogadas no lixo. O Conselho Nacional do Meio Ambiente aprovou uma resolução que responsabiliza os fabricantes pelo destino final desses produtos, que podem ser reciclados, o invólucro das baterias vira sacos plásticos e similares, e as partes internas são usadas na fabricação de corantes.